Canetinhas Emagrecedoras: Os efeitos colaterais da Semaglutida e a verdade sobre tratar obesidade
Por: Dra. Silvia Bretz CRM 52.42779-7 RJ Endocrinologia | RQE 4320
Publicado em 18/02/2026 – Atualizado em 03/03/2026
O que realmente foi discutido no Podcast 127
No Podcast 127 do Soul Bela, Isabela Fortes recebeu a endocrinologista Dra. Silvia Bretz para uma conversa direta, técnica e necessária sobre semaglutida, obesidade e responsabilidade metabólica.
Ozempic e medicamentos similares revolucionaram o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. No entanto, junto com os benefícios vieram efeitos colaterais que precisam ser compreendidos com maturidade clínica.
Como a semaglutida atua no organismo
A semaglutida atua no sistema gastrointestinal e no sistema nervoso central, promovendo saciedade e redução do apetite. Porém, essa ação não ocorre sem impacto. Náusea persistente, constipação, azia, eructações e desconforto abdominal são queixas frequentes.
Em mulheres, a constipação é quase regra. O trânsito intestinal desacelera, o inchaço aumenta e o humor pode ser afetado. Muitas pacientes relatam mal estar significativo, o que interfere na rotina, no trabalho e na qualidade de vida.
Por que tantas pacientes abandonam o tratamento
É justamente por isso que o principal motivo de abandono do tratamento não é a falta de resultado. É o desconforto causado pelos efeitos adversos.
Quando a dose não é ajustada corretamente ou quando não há escalonamento gradual, o risco de intolerância aumenta. O manejo adequado exige estratégia. Ajuste progressivo de dose, avaliação individualizada e, em alguns casos, associação de medicações para reduzir sintomas fazem toda a diferença.
O impacto gastrointestinal e a questão da disbiose
Outro ponto pouco discutido é a disbiose intestinal. Como esses medicamentos atuam diretamente no tubo digestivo e alteram o esvaziamento gástrico, podem modificar o equilíbrio da microbiota intestinal. Isso exige acompanhamento atento, principalmente em pacientes com histórico de distúrbios gastrointestinais.
Mas o debate no podcast foi além dos efeitos colaterais.
Obesidade não é estética, é doença crônica
Obesidade não é estética. É doença crônica inflamatória.
Essa afirmação muda completamente a abordagem terapêutica. Não se trata de buscar um padrão corporal. Trata-se de prevenir diabetes, infarto, dislipidemia e complicações degenerativas que comprometem órgãos vitais.
As consequências metabólicas da obesidade não tratada
Quando não tratada, a obesidade impõe sobrecarga metabólica constante. A resistência insulínica se instala de forma silenciosa. A pressão arterial sobe. A inflamação sistêmica aumenta. O risco cardiovascular cresce.
Emagrecer, nesse contexto, é um ato de prevenção. É responsabilidade com o futuro metabólico.
Quem quer aprender a emagrecer versus quem quer ser emagrecida
Durante a conversa, outro ponto fundamental foi levantado. Existe uma diferença clara entre quem procura o médico para emagrecer e quem inicia o processo pela nutrição.
Muitas mulheres chegam ao consultório após inúmeras tentativas frustradas. Estão cansadas, ansiosas e desejam uma solução rápida. Frequentemente não querem aprender a emagrecer. Querem ser emagrecidas.
O papel da consciência alimentar no sucesso terapêutico
Quando o caminho começa pelo nutricionista, a paciente costuma desenvolver consciência alimentar, entendimento sobre proteína, composição corporal e papel do exercício. Ela compreende que faz parte ativa do processo.
Já quem busca diretamente o médico muitas vezes deposita toda a expectativa no remédio. E não raramente já utilizou medicamentos de forma inadequada, sem acompanhamento estruturado, o que aumenta frustração e descrédito.
Emagrecimento é reconstrução metabólica
Emagrecimento não é apenas prescrição. É reconstrução de trajetória metabólica.
Tratar obesidade exige estratégia multimodal. Ajuste alimentar, fortalecimento muscular, manejo hormonal quando indicado e uso racional de medicamentos. Nenhuma molécula substitui participação ativa da paciente.
O medicamento pode ser ferramenta poderosa. Mas ferramenta sem estratégia gera abandono.
E abandono mantém a doença ativa.
A escolha não é estética. É fisiológica.
Se a obesidade é doença, o tratamento precisa ser técnico, individualizado e responsável.
A decisão não é sobre aparência. É sobre reduzir risco cardiovascular, preservar função metabólica e proteger a longevidade.
Saúde não se terceiriza. Ela se constrói.

Médica responsável:
Dra. Silvia Bretz
CRM 52.42779-7 RJ
Endocrinologia | RQE 4320
(21) 3874-0500 e (21) 98252-7777
Site: https://www.silviabretz.com.br





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